02/09/2008

Warlords


O que esperar de um livro sobre a segunda guerra? O que eu lembrava da escola era que um maluco tirano inicou uma guerra na Europa, quase conquistou todo o território, mas foi freado quando tentou invadir a Rússia e, posteriormente, com a entrada dos EUA na guerra, acabou levando a Alemanha à derrota. Dia D, campos de concentração e genocídios eram os pontos-chave da guerra. Não é isso que você encontrará neste livro.

O título em português, "Os Senhores da Guerra - Hitler, Stalin, Churcill e Roosevelt", já nos fornece o norte ao qual o autor apontará. Melhor dizendo, os autores: Simon Berthon e Joanna Potts, que colaborou com a pesquisa e estudo de documentos para servir como base para Berthon. O livro explora a mente, as decisões e relações entre os mais importantes líderes da guerra.

Interessante notar que o autor deixa de fora os chefes de dois dos Estados protagonistas: Itália e Japão. Hirohito, imperador do Japão, estava lutando uma guerra diferente com a China, que se entrelaçou ao confronto ocidental depois do audacioso ataque japonês a Pearl Harbor. Mesmo assim, a atenção só foi direcionada ao Japão após a rendição alemã. Já Mussolini, apesar de praticamente ter inventado o fascismo na Itália, parecia mais servir como um fantoche para os interesses de Hitler (mesmo ambos cultivando um certo grau de amizade). No meio da guerra Mussolini já cairia do poder, e os próprios nazistas se encarregariam de manter as batalhas no território da bota. Provavelmente Berthon considerou o embate psicológico, travado entre os outro quatro líderes, mais importante e por isso ocultou maiores análises sobre Hirohito e Mussolini.

No livro, nada de muito novo é comentado sobre Hitler, de modo que este se torna de certo modo coadjuvante. Sua ousadia em invadir a Polônia, a eficiência da blitzkrieg contra a Bélgica, Holanda e França, a insanidade de invadir a URSS e a persistência de manter a Alemanha na guerra até o fim são características bem conhecidas do líder. Fato interessante ressaltado pelo autor talvez tenha sido o fato de Hitler ter de certa forma poupado a Grã-Bretanha no início da guerra, na crença de consolidar seu império continental junto ao império marítimo-colonial dos ingleses. Infelizmente (para Hitler), Churchill sempre temeu e alertou o mundo contra Hitler, e não seria ele que assinaria um acordo com o nazista. Hitler acreditou também, até o fim de seus dias, na fragilidade das relações entre britânicos, americanos e russos, o que sempre lhe deu motivação para continuar na guerra. Sua opinião se mostraria de certa forma correta.

A visão que Berthon passa de Churchill, como já mencionado, é de opositor ferrenho do avanço alemão. Pode-se dizer que a Grã-Bretanha sustentou a guerra sozinha por muito tempo. O primeiro-ministro sabia que sozinho não venceria o embate e desde o início tentou trazer uma potência para seu lado: os EUA. Roosevelt, por sua vez, não pretendia levar seu país a mais um confronto em teatro europeu. Inicialmente relutou, depois realizou empréstimos para o esforço de guerra britânico e, finalmente, entrou no conflito após o ataque japonês a Pearl Harbor. Os ingleses conseguiram o que queriam, mas a que custo?

Roosevelt era aliado de Churchill, mas o livro explicita intenções não muito nobres do presidente: ao iniciar a ajuda aos ex-colonizadores, este tinha alguns objetivos em mente: acabar com o império britânico (e em geral, com os impérios europeus) e seu comércio protegido com as colônias, abrir mais mercados e incentivar a adoção de uma estrutura econômica mais próxima daquela adotada pelos EUA. Com a invasão da URSS pela Alemanha, Stalin também passou a receber empréstimos e, digamos, uma atenção especial de Roosevelt. Só para citar um fato contado no livro, no ápice das batalhas, quando o exército vermelho atropelava os alemães rumo ao ocidente, Stalin pedia a abertura de um novo front. Churchill era a favor de entrar pela Itália, mas Roosevelt conseguiu convencer os generais a desembarcar na França. Churchill temia uma bolchevização dos bálcãs, e Roosevelt temia a criação de uma área de influência britânica nessa região.

A visão do autor sobre o líder da URSS também não é das mais suaves. O livro mostra que Stalin teve na segunda guerra a oportunidade esperada para expandir seus territórios. Começando pelos países bálticos, que sucumbiram durante a aliança germano-soviética. Depois, com o avanço do exército vermelho a fim de retirar os alemães de suas terras, até a chegada em Berlim, mais territórios foram anexados, entre eles a Polônia "recém-libertada". Stalin e seu exército aterrorizaram a Europa Oriental. Relatos de massacres por parte dos russos também existiram. O autor conta que encontrou-se a certa altura da guerra uma base militar na qual dezenas de milhares de corpos de poloneses estavam escondidos, todos fuzilados. Talvez Roosevelt devesse ter dado mais atenção a esses fatos ao tentar interpretar a mente de Stalin.

O grande legado do livro é com certeza a diferença de "peso" existentes entre as amizades dos três líderes aliados. Stalin e Churchill decerto nunca se deram bem. Churchill viu em Roosevelt a salvação contra os nazistas, mas se decepcionou com as atitudes do presidente perante sua política de impedir o avanço soviético. Na verdade, esse favorecimento dado a Stalin talvez tenha sido fruto de uma certa ingenuidade do presidente americano. Roosevelt acreditava em um mundo pós-guerra sem impérios, sem conflitos, sem esferas de influência, policiado pelas grandes potências econômicas. Stalin, porém, nunca foi menos autoritário, nem menos imperialista que Hitler. O presidente não viveu para presenciar seu legado, mas suas decisões e sua postura contra Churchill deixaram as portas abertas para o domínio soviético na Europa Oriental e a posterior Guerra Fria. O livro explora de maneira profunda e empolgante, "com ritmo de thriller", as não tão harmoniosas relações entre os aliados. Se você se interessa por história, e gostaria de saber mais sobre a Segunda Gerra do que as batalhas e o holocausto, esse é o livro!

5 comentários:

Lucy Diamond disse...

Na verdade eu odeio hist�ria. Mas sempre gostei de ler sobre a Segunda Guerra. Esse livro parece demais, meu!! Voc� n�o t� afim de me emprestar n�o? haha
beeijo

** disse...

Ah, esse eu passo... Nem curto mto ler e esse assunto tb não me agrada, rsrs...
Falta uma crítica musical agora pra fazer jus ao nome do blog, hehehehe...

Flwww!!!

Anônimo disse...

caracaaa
,isso que é uma analise critica ..muitooo bom!!!

Kátia disse...

Q LEGAL PRIMO!!!! ADOREI O BLOG!!!! CONTINUE POSTANDO!!! MUITO BOM OS COMENTÁRIOS!!!!! D+++++

BJS****

Lucy Diamond disse...

humm... eu ainda acho assis com a capitu mais interessante que kafka com o inseto!
whatever... você vai me emprestar esse livro? haha
beeijo