
Estréio esse blog com um comentário sobre um filme, o qual há pouco assisti, mas que já há alguns anos conheci. O filme dirigido pelo mestre Stanley Kubrick é baseado no livro (o qual não li) homônimo de Anthony Burgess. A história se passa em uma Londres futurística, onde gangues são responsáveis por atos de "ultra-violência" gratuita. Como contra-medida, o Estado lança mão de técnicas escusas para corrigir o comportamento dos infratores. Tudo regado a uma trilha sonora impecável.
Vale notar que o termo "futurístíco" pode ser compreendido como psicodélico, decadente, ou "estiloso", nesse caso. Nada de naves e prédios gigantescos de metal, mas sim uma arquitetura e decoração que sensibilizam a vista de qualquer um. As locações do filme vão desde bares alternativos a conjuntos habitacionais, de teatros abandonados a mansões na estrada. Todos estes, em maior ou menor grau, evocam arquitetura (clássica, moderna, não importa) e cores fortes.
"Ultra-violence", "Great Bolshy Yarblockos", "Droogies", "Gulliver"... O neologismo presente no filme é maior no livro, fruto de uma língua idealizada por Burgess, que mistura gírias inglesas e russas. Kubrick inicialmente comentou que ele não entendeu, e ninguém entenderia a linguagem, por isso ele não faria o filme. Não só filmou, como manteve presente o semi-idioma.
A música também é peça fundamental aqui. Podemos considerar Beethoven (com sua nona sinfonia) um ator coadjuvante. A obra tem papel fundamental no enredo. Mas não limitada à nona, a música clássica é adornada com efeitos sonoros que colaboram com o impacto assustador de algumas cenas.
O filme causou furor à época. É fundamental registrar aqui as datas de lançamento de ambas as obras: 1971 (o filme) e 1962 (o livro). O livro era considerado subversivo, obscuro e era proibido. Isso, claro, era um chamariz para os jovens leitores, que também se fascinavam com outras obras como "O Apanhador no Campo de Centeio" (este será objeto de um post futuramente). Seguindo na mesma linha, o filme causou polêmica. Após sua estréia, infratores usavam o argumento de que tinham sido influenciados pelo filme. Kubrick, revoltado com a "interpretação errada do filme", e apreensivo com algumas ameaças recebidas, tirou o filme de circulação da Inglaterra. E assim ficou por anos, quando foi relançado após sua morte, em 1999. Obviamente, o filme era acessível durante a proibição, mas, a exemplo do livro, tudo por debaixo dos panos. Mesmo no Brasil o filme foi proibido, e só rodou depois da censura dos milicos. Ainda hoje não é surpresa encontrar algum pai que proíba (ou ao menos não recomende) o filme para seus filhos já crescidos e maduros.
Tanta polêmica e originalidade só podiam atrair mais atenção ao filme. Mais de 30 anos depois, a obra (que contou com um orçamento apertado de dois milhões de dólares) ainda espanta. Sem usar de sangue e pedaços de corpo voando, duvido que algum filme tenha conseguido gerar o mal-estar (por vezes, pasmem, acompanhado de risadas!) que causam as cenas de violência do filme. Mal-estar também causado pelas atitudes dos participantes da politicagem explorada na segunda metade do filme.
"Witty, funny, satiric, bizarre, musical, exciting, political, frightening, thrilling, metaphorical, comic". Estes poucos adjetivos (retirados das cenas de lançamento publicitário do filme) resumem o filme. Com eles, finalizo a humilde análise, deixando, obviamente, a recomendação do filme.
4 comentários:
Lindinho, adorei sua análise! Vc a achou humilde? Eu a achei perfeita! E olha que eu fazia muitas análises quando me formei em Jornalismo.
Aguardarei a análise do "Apanhador no campo de centeio".
Grande beijo!
Eu sempre tive muita vontade de assistir Laranja Mec�nica e seu post s� me deixou com mais ainda!!
Vou procurar e assistir o quanto antes.
Continue postando, Pituxa =]
beeijo
Eu juro que eu vim com toda a boa vontade do mundo, mas você não postou mais nada... haha
Tudo bem... talvez seja um sinal de que eu deva assistir urgentemente esse filme. Acho que eu tenho aqui... assistirei assim que acabarem minhas provas dessa semana :)
beeijo
Esse filme é loko msm!!! Nem sabia dessas paradas q vc falou aí da proibição e tal, deu até vontade de ver o seu DVD de extras e de ver o filme de novo tb, já q o q eu vi foi a versão dublada q passou no SBT, hehehehehe...
Flwww!!!
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