20/10/2008

Lolita

Mais um grande clássico de Stanley Kubrick (adaptado do romance homônimo de Vladimir Nabokov), Lolita, filmado no início da década de 60 em preto e branco, mostra as facetas mais obscuras de um sentimento capaz de distorcer qualquer mente, da intelectual à menos estudada: o amor.
O filme basicamente ilustra a história de um professor inglês (Humbert) que se muda para os EUA e passa o verão em uma casa/pousada de uma viúva, que vive com sua filha. Um estranho triângulo amoroso se desenvolve, rebaixando, cada vez mais com o decorrer do filme, o acadêmico e intelectual a um cego apaixonado pela ninfeta.
A obra possui seus momentos marcantes: a cena inicial do frio assassinato, o instante em que Lolita posa de biquiní no jardim ou quando escreve uma carta pedindo socorro ao ex-amante. Também possui suas duas ou três reviravoltas, de modo que o enredo (e não só a ninfeta) mostra-se capaz de atrair a atenção do telespectador.
O que mais chama a atenção, no entanto, é a exploração psicológica que se faz em torno desse que certamente é o mais discutido dos sentimentos. Seria generoso creditar o título de "perdidamente apaixonado" ao protagonista. Mas mais do que explorar o amor, o filme explora seus sentimentos adjacentes. Não se pode deixar de notar que essa paixão decorre de toda uma conotação sexual exalada por Lolita. O protagonista, não poderia deixar de ser diferente, é fisgado por ela sem oferecer resistência, e se deixa levar em suas fantasias até conseguir consumar o fato.
A partir desse momento, a ênfase passa para outro ponto: o sentimento de ciúme e possessividade que passa a tomar conta de Humbert. Pouco a pouco a coisa se torna doentia, até que no desenrolar da história ele perde o controle da situação e é abandonado por Lolita, que foge com outro de seus affairs. Fica o seguinte exercício de imaginação: o abandono foi culpa de Humbert, que tratou Lolita de maneira repreensiva, ou ela, dotada de tantos poderes perante os homens, preferiu mudar de foco para variar um pouco?
Comédia (sim, ainda existe espaço para risadas nesse filme!), romance e drama, Lolita certamente surpreende. Apesar de parecer apelativo, por tratar de um assunto que certamente é fetiche e tabú, o filme consegue tocar em algumas feridas ao se aprofundar revelando até que ponto podemos ir para tentar corresponder a um sentimento tão intenso. Desculpem-me se a citação parecer inapropriada, mas depois de uma semana que terminou com um trágico crime passional, o filme me tocou de uma maneira peculiar. Fica recomendando a quem ainda se impressiona com o que o amor e o desequilíbrio podem fazer com uma pessoa.

3 comentários:

Lucy Diamond disse...

Entrou na minha lista dos próximos filmes...
Eu sempre disse que ciúmes e controle em excesso fazia mal, sempre me irritei com isso, não é mesmo?
Agora quanto ao caso Eloá, eu não aguento mais ouvir sobre...

Unknown disse...

Querido... vou fazer vc assistir uns outros filmes...
pode anotar...!!
beijos

Lucy Diamond disse...

eu fiz a minha própria crítica cinematográfica hoje! hahahaha... seguindo o seu exemplo...